Ana de Armas em Bailarina: a vulnerabilidade é seu charme 

Recentemente, assisti ao novo trailer de Bailarina (2025). Para ser sincero, desde que Keanu Reeves transformou o universo de John Wick em uma referência para os filmes de ação modernos, fico dividido sempre que anunciam um novo spin-off — afinal, quando se tem um padrão tão alto, é difícil superar, ou até mesmo manter, o nível.

Porém, depois de assistir ao novo trailer, fiquei meio aliviado — ou melhor, fiquei bastante animado.

No trailer, a personagem de Ana de Armas, a bailarina assassina Eve Macarro, luta de uma forma linda. Sim, eu disse linda, não eficiente. Os elementos do balé nos movimentos — os giros e saltos — criam um ritmo único graças a sua flexibilidade, e isso não é algo que se vê com frequência em filmes de ação. Ao mesmo tempo, porém, dá para sentir claramente seu esforço. Ela não é como John Wick, aquele homem que desce ao nível do assassinato, como se fosse a própria Morte, e acaba com todos num piscar de olhos. Eve se machuca e precisa respirar fundo, demonstrando cansaço e também limites. Todo sucesso parece conquistado com muito esforço, alcançado apenas por dar tudo de si.

E foi exatamente isso que mais me cativou. Não as sequências de assassinato que se assemelham a danças, mas os momentos de esforço que fazem a personagem parecer real e crível. O poder de John Wick é quase mítico; vê-lo cortando todo mundo ao meio é emocionante, claro, mas no fundo, sabemos que é pura fantasia. Com o esforço de Eve, no entanto, é mais fácil de se identificar, e isso me deixa mais ansioso para ver como ela sobrevive e cresce a cada novo perigo. Keanu Reeves também está no trailer e parece que ele está caçando a bailarina. Em uma cena, diante do muro aparentemente intransponível que é John Wick, uma expressão breve surge no rosto de Eve. É rápido, mas eu captei. Não era só medo... era mais como... uma sutil pitada de desespero, uma sensação de impotência, reconhecendo sua própria pequenez e a dificuldade da situação.

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Naquele momento, foi como se algo tivesse feito um clique.

Ana de Armas é frequentemente rotulada como "uma das mulheres mais bonitas do mundo", o que se comprova em capas de revistas e nos holofotes dos tapetes vermelhos. Mas, para ser sincero, nem sempre sinto isso. Algumas vezes, ela fica muito bonita sob determinada iluminação ou em um ângulo específico, mas em outras, parece que... ela é apenas… normal? É como se faltasse alguma coisa, ou talvez suas qualidades marcantes não chamem tanto minha atenção.

Não é uma crítica, mas uma reflexão. Seu rosto é inegavelmente bonito e seu corpo, sem dúvida, atraente, mas parece faltar algo — alguma qualidade mais complexa que encante ou atraia alguém. É algo fluido e vago, então nunca consegui entender direito o que eu "sentia" por ela.

Até ver aquele olhar de desespero no trailer de Bailarina. Percebi que, para mim, o maior encanto de Ana de Armas talvez seja justamente a vulnerabilidade que ela revela sem perceber.

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Essa vulnerabilidade não tem a ver com fraqueza ou necessidade de proteção, é algo mais profundo. É uma fragilidade escondida sob uma fachada sólida, uma potencial solidão e insegurança por trás de um sorriso confiante, a humanidade mais pura exposta diante de um destino incontrolável.

Vamos pensar em seus papéis anteriores:

Em Blade Runner 2049 (2017), a namorada virtual Joi é a parceira perfeita que realiza quase todas as fantasias masculinas. Porém, seus momentos mais emocionantes não são as interações doces, mas, sim, quando ela anseia por ser "real". Seu ilusório, porém vulnerável, "eu te amo" para K na chuva, a sensação de perda de K quando seu programa desaparece. Sua própria existência é uma combinação de extrema beleza e extrema fragilidade. Aquela trágica sensação de "eu sou tão perfeita, mas não sou real", transmitida pela atuação de Ana é de partir o coração.

Em Entre Facas e Segredos (2019), a enfermeira Marta é gentil e honesta. Infelizmente, ela se viu envolvida em uma complexa batalha por uma herança. O papel não é o da femme fatale tradicional ou da detetive brilhante. Suas "armas" (sem trocadilho) são a bondade e uma honestidade quase instintiva (a peculiaridade de vomitar ao mentir também é interessante). Ao enfrentar os intrigantes membros da família rica, seu desamparo, nervosismo e suas batalhas morais internas ficam estampados em seu rosto. Ela não é corajosa, mas escolhe fazer a coisa certa. Essa bondade sob pressão e sua vulnerabilidade nítida fazem dela o núcleo emocional do filme e conquistam o coração do público.

E, então, temos Blonde (2022). O filme é polarizador, mas, pessoalmente, sinto que a Marilyn Monroe de Ana mostra algo essencial. Deixando de lado os debates sobre sotaque ou semelhança, ela transmite com sucesso o imenso vazio, a insegurança e a dor por trás de um símbolo sexual. A deslumbrante deusa loira na tela contrasta fortemente com Norma Jeane, a jovem inocente fora das telas que anseia por amor e validação, mas que é constantemente magoada. Ana capta essa fragilidade e a tristeza sem fim por trás dos sorrisos forçados. Essa é, sem dúvida, uma forma extrema de vulnerabilidade, bem como a fonte do encanto trágico da personagem.

Todos esses papéis demonstram, em graus variados, a capacidade de Ana de Armas de retratar a vulnerabilidade. Quando essa qualidade se combina com sua beleza ou com os pontos fortes da personagem (como a bondade de Marta ou as habilidades virtuais de Joi), surge uma química fascinante que a transforma em alguém multidimensional, crível e cativante.

Por outro lado, quando ela interpreta papéis que enfatizam apenas seus lados "sexy" ou "descolado", percebo que esse encanto diminui um pouco. Por exemplo, em Águas Profundas (2022), ela caminha em uma linha perigosa ao interpretar uma esposa que constantemente provoca o marido. Embora a personagem seja criada para ser sexy e misteriosa, a considero um pouco superficial, sem aquela qualidade que emociona. Da mesma forma, em Agente Oculto (2022), sua personagem é habilidosa e bonita, mas menos memorável em comparação com os outros papéis mencionados. E em Ghosted (2023), uma comédia romântica de ação, ela interpretou uma agente experiente, bonita e competente, mas que parece ser só isso. Esses papéis certamente exigem habilidades de atuação, mas se apoiam mais nas qualidades físicas de Ana, sem lhe dar muito espaço para demonstrar vulnerabilidade e complexidade. Para mim, nesses casos, ela é como um belo pôster — agradável de se ver, mas sem conexão com a essência do filme.

Isso talvez explique por que nem sempre reconheço seu charme. Quando vejo um símbolo sexual sendo divulgado, penso: "Sim, muito bonito", mas é só. Mas quando percebo aquele vislumbre de vulnerabilidade, esforço ou imperfeição humana em suas personagens, é aí que fico realmente impressionado: "Esse é o verdadeiro encanto".

É como me encanto por carros antigos, especialmente pelo meu Porsche Boxster verde — eu o chamo de "Greenblade". Ele não é o carro mais novo nem o mais rápido, sua mecânica é relativamente simples e até tem algumas peculiaridades. Mas é justamente essa imperfeição, essa sensação de que você precisa entendê-lo e cuidar dele, que lhe dá um charme único. Carros esportivos novinhos em folha e cheios de tecnologia são ótimos, mas às vezes parecem apenas máquinas. Carros mais antigos têm "personalidade" e até um lado "vulnerável".

Voltando a Bailarina, estou realmente ansioso pelo filme. Não só pelas sequências de ação, mas principalmente para ver como Ana de Armas interpreta Eve. Aquele breve vislumbre de desespero no trailer me dá motivos para acreditar que não será a história de uma simples bailarina lutadora. Espero que o filme se aprofunde em seu interior, mostrando seus esforços antes de se tornar uma assassina e sua vulnerabilidade e perseverança ao enfrentar inimigos desafiadores e um mundo cruel.

Se Bailarina conseguir combinar a elegância do balé, a crueldade de uma assassina e a vulnerabilidade da natureza humana, Ana de Armas poderá, mais uma vez, criar uma personagem memorável. E eu, como simples espectador e crítico de cinema, espero me comover novamente com sua beleza única, porém acompanhada de uma pitada de sensibilidade.

Afinal, em um mundo que enfatiza cada vez mais a "força" e a "perfeição", é ainda mais precioso ver uma vulnerabilidade genuína. Isso nos lembra que, independentemente das aparências, somos, no final, seres humanos complexos, de carne e osso, e a vulnerabilidade pode ser o que mais ressoa dentro de nós.

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