Black Mirror me fez querer morar no Hotel Reverie 

Esta é a primeira vez que eu gostaria de morar no mundo de Black Mirror: mais especificamente no terceiro episódio da 7ª temporada.

Black Mirror sempre focou nas questões éticas trazidas pela evolução da tecnologia, mostrando principalmente o lado sombrio do progresso tecnológico e comercial. Esses aspectos obscuros contradizem os conhecimentos científicos que adquiri durante anos. Essa contradição me deixa desconfortável toda vez que termino de assistir a um episódio da série, me causando uma sensação de “felizmente nossa tecnologia ainda não está tão avançada”.

Mas no terceiro episódio da última temporada não senti nenhum temor. Em vez disso, torci para que a tecnologia retratada na história se tornasse realidade o mais cedo possível.

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O enredo do episódio não é complicado. Um dia, uma empresa de IA chamada Redream, que consegue recriar cenas de filmes, aborda a chefe de um estúdio de cinema que está falindo, e a convence a fazer um remake de um filme dos anos 40 chamado “Hotel Reverie” com um orçamento muito baixo.

É uma história de amor. A protagonista é uma herdeira muito rica em um casamento infeliz que se apaixona por um médico durante uma viagem ao Cairo. Posteriormente, seu marido é preso por tentar assassiná-la e ela acaba ficando com o médico. Pouco depois da conclusão do filme, Dorothy, a atriz que interpretou a protagonista, cometeu suicídio por overdose de pílulas. A protagonista do episódio, Brandy, é uma atriz ambiciosa que admira a falecida Dorothy. Ela assume o papel do médico no remake com o auxílio da mais recente tecnologia da Redream — um botão que conecta seu cérebro aos personagens na tela — e entra no filme dos anos 40 para interpretar o médico e se apaixonar pela protagonista.

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Em relação ao enredo, o episódio não me pareceu particularmente inovador. Como leitora de fanfics, li inúmeras histórias sobre como entrar em outras narrativas. Seja se tornando protagonista de um livro ou atuando em um filme como você mesmo, já vi premissas mais interessantes. No entanto, o ponto fraco desse tipo de história é que nunca fornece qualquer explicação científica sobre como tudo acontece. Na maioria das vezes, os protagonistas entram de maneira repentina e inexplicável em uma história que criaram ou leram. O que me empolgou no terceiro episódio foi que ele propôs uma possível tecnologia para transformar essa fantasia em realidade. E essa possibilidade poderá se tornar real em um futuro próximo.

Por exemplo, o uso de inteligência artificial para recriar personagens e cenas de filmes. Dado o ritmo atual de desenvolvimento da IA, não creio que isso seja muito difícil. Já podemos usar a IA para criar personagens interativos com dados suficientes. Imagens e vídeos gerados por inteligência artificial que recriam cenas de filmes antigos também não são tão desafiadores. Quanto ao botão que Brandy usa na cabeça, parece uma interface avançada entre o cérebro e o computador, como um dispositivo que oferece uma experiência de realidade virtual de uma forma mais conveniente. Isso significa que a maior parte da tecnologia utilizada na trama tem avanços correspondentes na vida real; só que eles simplesmente ainda não estão desenvolvidos o suficiente. Se acreditarmos nessa tecnologia, talvez em um futuro próximo, poderemos realmente ser como Brandy, entrando em um mundo cinematográfico vívido, interagindo com personagens que amamos e criando nossas próprias histórias (bom, embora o desvio de enredo possa ser fatal em Black Mirror, confio que nossos cientistas do mundo real não desenvolveriam um conceito tão perigoso).

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Pensando nisso, me fiz a seguinte pergunta: em qual filme eu gostaria de entrar? A resposta não foi imediata porque há muitas opções. Primeiro, eu gostaria de experimentar a imersão em todos os mundos cinematográficos da Disney e da Universal. Queria sentir a magia do universo de Harry Potter, fazer carinho nos Minions e ser amiga de todas as princesas da Disney. Além disso, eu gostaria de ser a protagonista em várias comédias românticas que já fizeram meu coração palpitar, experimentando me apaixonar pelos protagonistas. Embora seja um pouco vergonhoso dizer isso, acredito que alguns leitores deste artigo devem sentir o mesmo. É claro que definitivamente valeria a pena entrar em filmes de ficção científica. Só não tenho certeza se estou 100% pronta para uma viagem espacial. Então, em vez de mundos futuros, estou mais inclinada a entrar em universos com poderes mágicos. Eu espero comandar o vento e a chuva, voar alto pelo céu e explorar o subsolo, fazer as flores desabrocharem e a grama crescer. Ah, e apesar de Eternos ter sido um filme chato, valeria a pena se tornar um de seus personagens. Imagina o quanto seria legal transformar um caminhão em milhares de pétalas de flores!

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É claro que, se várias pessoas pudessem entrar nos filmes simultaneamente, espero que o que nos aguarda não seja apenas uma história como Jogador Nº 1, que reflete completamente as divisões de classe, a competição e a crueldade do mundo real no mundo virtual. Como podemos aproveitar os benefícios da revolução tecnológica sem ficarmos alienados pela tecnologia? É uma questão que Black Mirror levanta constantemente ao público.

De Matrix a Black Mirror, sempre nos preocupamos com o avanço rápido da tecnologia, que nos levaria ao nosso próprio domínio e destruição. O futuro está próximo e não é tão bom nem tão ruim quanto imaginávamos. Eu não resisto a todas as mudanças; só espero que, antes da chegada de uma grande revolução, possamos ter clareza sobre para que desejamos usar a tecnologia. Usá-la para assistir a filmes e contar histórias parece muito mais valioso do que criar exércitos de robôs.

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Já causamos danos suficientes ao planeta, e a violência humana não precisa ser aprimorada pelas inovações tecnológicas. Se tivermos a mais avançada tecnologia, espero que ela possa ser aplicada em áreas que despertam amor e vitalidade, como o cinema.

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